sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Desativei -quase- né?

E ai, tive saudade de quando pensava que o mundo todo era uma bola de algodão.
Tive saudade de pensar que nos eramos o palito que segurava o algodão. E se não fosse, alguém sempre o seria.
Saudade de imaginar pequenos carros coloridos, passando na rua. Em fileira, todos com o pisca ligado, só pra anunciar que estavam felizes.
Senti saudade de descer a rua, entrar no colégio, dar bom dia a Zé. Entrar na última sala do corredor e sentar na cadeira azul mole.
Saudade de dividir o caderno, a caneta, o lugar. De passar horas conversando com o quintento mais fantastico do mundo.
De poder, apertar a barriga do Alquimista. A barriga do angulista. Se é que esse fez parte da história.
Senti saudade de descer outro pedaço da rua, cantarolando. E jogar volei, chutar canelas e conversar depois.
Quando, as saudades, bem de repente, mudaram a via principal. Talvez estavam em contra mão.
E ser multado, não é o tipo de saudade que gosto de ter.
Saudade. Senti saudade de passar horas no telefone com você. Com vocês, sem saber ao certo quem seria.
Saudade de entrar no carro e ir para no shoop, só pra entrar, dar uma volta e sair. Saudade de fugir do monotono.
E de procurar o diferente.
Tive saudade das festas, dos lanches. Das brigas. Sentir saudade do que não foi, também faz parte.
Saudade de ir no prédio verde. Subir até o andar certo e deitar no sofá da minha segunda casa.
Senti saudade de ir naquela casa, correr, sujar, sonhar, viver. Viver. Em 1ª pessoa.
E então, o foco mudou outra vez.
Senti saudade de pensar. De ter anjos. De sair. Saudade de cantar até perder toda a voz.
Senti saudade de tentar falar inglês e aquele 'O cara' rir até cansar.
Saudade de não fazer nada e ter a sensação de estar fazendo tudo. Alguém feliz, todos felizes.
Saudade do laço vermelho. Da escola azul e amarelo. Saudade dos coleguinhas diferentes.
Saudade dos vestidos de são joão e da professora rigorosa.
E essa saudade, foi se espalhando. Por tudo, todos, pela vida. De viver, mas não mais em 1ª pessoa.
Agora, a saudade que sinto, quase toda hora, quase todo minuto, segundo seria exagero, não tem tempo verbal certo.
Não tem mais, uma lógica exata. Um calculo de bissetriz. Não tem mais uma raiz. Ou o delta.
Simplesmente, sinto saudade.
Sem tanta dificuldade, mas com um desejo e com uma vontade.
A de poder reviver tudo. Fazer tudo. Ou não fazer. E mudar. Ou não mudar. Quem sabe?
Só a experiência ou a sabedoria. E não conto sempre com elas.
Só queria uma constante... Pelo menos por um tempo.
Como já diria alguém que amo: Ser essência, muito mais.