terça-feira, 26 de janeiro de 2010

:\

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Não tenho palavras pra descrever o quanto é horrivel esperar a morte chegar. Ou melhor, esperar que a cada dia nossas esperanças acabem,  que simplesmente encontrem um novo lugar pra reinar, novas pessoas que necessitem dela nas suas vidas. Acho que na nossa, a muito tempo ela se foi. Antes, eram 3 meses. Tínhamos ainda tempo pra ver ela se perdoar pela tragetória muitas vezes errada na sua vida, tínhamos tempo pra escutar suas histórias, seus casos, experiências e chantagens. E muitas vezes até tempo sobrando pra vê-la lamentar das dores que sentia, das náuseas. Tempo demais pra ela falar que não veria Clarinha andar ou pronunciar 'mãe' e 'vovó'. Tempo demais sobrando que a única coisa que nós percebiamos estar  acontecendo era que a doença cada dia mais ocupava outro orgão. Que agora tudo ficava mais escasso, mais debilitado. Passados uma semana todas essas esperanças que guardávamos conosco simplesmente foram se apagando. O que era três meses em uma semana se tornou dois. E o que se tornou dois meses agora, passados três dias, são duas semanas. Cada tempo que se passa temos mais a certeza de que agora a respiração não é a mesma, que cada 'inspira' e 'expira' vai ficando mais difícil suportar a chegada da morte. Que a cada tic-tac do relógio os olhos vão se comprimindo, a boca prende as palavras, e os gestos agora só pedem socorro. E é assim que eu me sinto toda vez que eu entro no quarto 108 do hospital. Sinto como se agora já não houvesse mais uma partezinha dela aqui com a gente, sinto que agora cada segundo é um adeus dolorido pra nós, sobrinhas e sobrinhos, pra eles, filhos e pra todos aqueles que fizeram parte da sua história. Agora, não peço mais a Deus que lhe dê vida, porque já guardo comigo a certeza que o lugar dela é lá com Ele. A única coisa que ando pedindo é que o Senhor aquiete a alma dela, para que ela vá em paz. Na paz divina. E é como dizia Pe. Fábio: '' Não, eu não vi a sua cura se cumprir. Eu não vi o seu milagre acontecer. Nada que eu pedi a Deus aconteceu. É, vou tentando achar o rumo por aqui, vou reaprendendo ser sem ter você, descobrindo em mim o que você deixou. Grito seu nome, desejoso de resposta, quando vejo a mesa posta e seu lugar sem ter ninguém. Mas nessa ausência, sei que existe outra presença, uma força que sustenta, e que me faz permanecer de pé. (...) Meus Deus humano, que conhece a dor de ver partir a quem se ama, que chorou de saudade, que sofreu por seus amigos, e que esteve ao meu lado, quando eu vi você partir... Porque você partiu, porque você se foi, e porque o milagre não se deu como eu pedi... Não, eu não vou perder a fé, nem desistir. Foi você que me ensinou antes de ir, vou vivendo assim, conhecendo o coração, que você fez pulsar em mim.''
Enfim... Que seja feita Tua vontade, Amém.

=*

7 comentários:

  1. caí aqui sem querer, mas foi impossível não comentar. desculpe a invasão, mas meus olhos se encheram de lágrimas.
    sinto muito. força é tudo que precisamos na perda de um ente querido.
    tenha fé, tudo é superável.

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  2. não tem invasão não, e muitíssimo obrigado!
    estamos realmente precisando de conforto e força. saiba que é um prazer enorme ter pessoas como você que vêm aqui do nada, e ainda deixam os sinceros votos! =*

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  3. É, nessas horas não consigo achar outras palavras que não as que já foram usadas: também sinto muito. Vou orar pra que Deus dê paz então; pra ela e pra toda a sua família. E se quiser, ouça essa música da Carrie Underwood - sempre me toca muito!
    http://www.youtube.com/watch?v=YyelEhTAhJU
    (Depois procure a letra também. Sei que não vai curar, mas se for um aliviozinho pequeno eu já fico satisfeita...)

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  4. Brenda, obrigado! de coração, vocês não tem noção de como é bom o apoio nessas horas. Agradeço desde já pelas suas orações. E realmente a música tocou muito, ela é linda... A letra, a suavidade, o 'movimento'... Obrigado mais uma vez!

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Poxa Liice, nem sei o que dizer. Eu tbm perdi um avô muito querido por mim. Ele me deixou pelo motivo do mal de parkinson. Ele começou a se portar com um garoto de 5 anos. Foi horrível. E pior de tudo foi que minha idade impediu que eu fosse no enterro dele :S // Mas não vim aqui pra contar minha história nem nada do tipo, eu vim mesmo pra te desejar forças pra seguir nesse caminho meio que difícil e doloroso. Mas que acredito que tudo acontece com segundas intençoes. Sinto muito, saiba que eu estarei aqui pra te dar apoio viu? Sei que é pouco tempo de convivencia, mas nas horas ruins, todo o amparo e companhia faz bem. Espero que tudo realmente melhore. Abraço em todos que passam por tal situação ;*

    By: Vicente

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  7. Eu não tenho o que falar, o que comentar ou o que pensar sobre tudo isso que acontece ao nosso redor agora. Eu venho tentando me manter tão distante de toda dor que esse turbilhão de sentimentos pode me causar ( não só com o que acontece agora, mas também com o que aconteceu há 1 ano e meio. ) que não sei como me sentir quando ouço ou leio sobre os sentimentos e as dores e as saudades, que já vão ficando, em quem tá lá pra ver, pra sentir e pra apoiar.
    Eu sinto uma vontade as vezes de estar, de poder ajudar, mas eu sei que não iria ajudar que só iria me enfiar bem no meio de um furacão que vem acabando com os sentimentos e as noções de todo mundo. É egoista mesmo, eu sei. Mas é o que eu venho sentindo.
    Eu só posso te dizer, que de toda a minha alma, de todo o meu coração, eu sinto mais do que muito. Eu de longe me sinto sendo puxada pela tristeza, não consigo ( e não sei se quero ) saber como vocês se sentem.
    Eu só posso repetir: eu sinto. Queria que nada disso acontecesse com niguém ao nosso redor, mas como eu sempre disse: é a vida, não é? É disso que ela é feita.
    Beijo, preta.
    E como se acontecesse comigo, e fosse eu que estivesse sem as esperanças, eu te digo: Te amo, prima.

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